Entre os dias 06 e 16 de julho, o Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda volta a receber a Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), que este ano chega a maioridade, completando dezoito anos de exaltação a cultura e artesanato do país. Este ano, o tema é “ A arte é Nossa Bandeira”, que destaca a riqueza cultural de Pernambuco. O público vai poder encontrar por lá muita arte, decoração, cultura, gastronomia, música e moda que representam a diversidade de estilos e tradições de todos os estados brasileiros e de trinta e três países. No total serão mais de 5 mil expositores em cerca de 800 espaços, distribuídos em uma área de 30 mil m².

Perspectiva da entrada principal da Fenearte.

As novidades para este ano são muitas, entre elas a setorização por tipologias do artesanato (cerâmica, madeira, metal, fibra, pedra, cabaça, vidro, papel, tela, PVC, materiais sintéticos, sabonete, têxtil e couro). Os corredores  serão mais largos para facilitar o acesso de todos. A Fenearte promoveu a ampliação das palestras gratuitas e também de atrações expositivas, contando também com atividades infantis concentradas no mezanino e a nova localização dos Salões de Arte Popular e Religiosa, além da Galeria de Reciclados. O arquiteto Carlos Augusto Lira realizou mudanças na planta do evento para garantir um percurso mais confortável. “No novo layout, o grande trunfo é a setorização por tipo de material que vai facilitar na hora das pessoas procurarem algum produto específico. As cores vem no tom pastel, mas há espaço para a intensidade do vermelho que domina o piso no setor dos mestres, logo na entrada na feira”, conta Carlos Augusto.  Já a cenografia valoriza os símbolos da bandeira de Pernambuco e as tipologias do artesanato. A sinalização vai ser reforçada por carpetes coloridos e placas suspensas que farão a decoração das vinte e uma ruas da feira.

Assista ao vídeo sobre a nova Fenearte

O Salão de Arte Popular foi para a área externa, logo na chegada, reunido 210 obras expostas lado a lado, divididas entre as categorias Arte Popular Ana Holanda,  Arte Religiosa e Galeria dos Reciclados. A curadoria também é de Carlos Augusto Lira, com premiação para 3 ganhadores de cada categoria, escolhidos por uma comissão julgadora. Durante a Feira haverá ainda uma votação do Prêmio Aclamação, que elegerá a melhor peça de cada exibição através do voto popular com uma urna eletrônica no local.

Os premiados do Salão Ana Holanda: Apaixonados por forró (cerâmica), de Fernandes Rodrigues de Oliveira; o Altar dos Milagres (resina) Milton Pereira de Araújo e o vendedor de cordel (madeira), de Aldemir Elias do Nascimento.

O homenageado da Fenearte é Manuel Eudócio, Patrimônio Vivo de Pernambuco, falecido em 2016, que moldava no barro as cenas do cotidiano nordestino. Na Alameda dos Mestres Janete Costa, que fica logo na entrada da feira, o público poderá conferir um espaço com exposição e comercialização de obras assinadas por Eudócio, o último discípulo de Vitalino. A Alameda dos Mestres contará com 63 mestres artesãos pernambucanos.

Eudócio, o cronista do sertão (Foto: Lucas Oliveira).

Já no Espaço Interferência Janete Costa, exposições e discussões irão levar até o público os diversos olhares sobre o artesanato e o design. No total, estão programadas sete palestras gratuitas. Idealizado pelas arquitetas Roberta Borsoi e Bete Paes, o espaço é uma oportunidade de integrar o artesanato, a arte popular e o design artesanal em um ambiente decorado. Por lá haverá um quarto de jovem e uma sala de jantar onde o mobiliário foi produzido em Pernambuco. Mestres estarão demonstrando suas técnicas ao vivo e expondo seus trabalhos. Entre eles, Cornélio (Piauí), famoso por seus totens de santos, e Gerard (Bahia), que do barro faz surgir formas e cores no sincretismo religioso. Um tributo será feito a Antônio de Dedé, Patrimônio Vivo de Alagoas, falecido no último dia 16, reconhecido internacionalmente, com trabalhos expostos e disponíveis para aquisição.

A Fenearte ainda irá oferecer oficinas gratuitas para quem desejar aprender técnicas artesanais que serão realizadas no mezanino, nos horários das 11h às 13h (sábado e domingo), das 15h às 17h e das 18h às 20h (todos os dias).

As inscrições serão feitas no local.

Uma Passarela apresentará 16 desfiles com trabalhos desenvolvidos por diversas marcas. O objetivo é valorizar o resgate de técnicas artesanais, da força criativa do feito à mão, articulando a costura entre moda e artesanato. Lukka Soares, que foi revelada no episódio do último incêndio na comunidade Vila Santa Luzia, no Recife, exibirá 100 croquis em uma mostra instalada junto à Passarela.

A lista dos desfiles.

Este ano, o evento irá contar um aplicativo app.vcfenearte2017, que foi desenvolvido por seis alunos da Escola Técnica Estadual Maria José Vasconcelos,  de Bezerros, no agreste de Pernambuco. Nele, as pessoas poderão encontrar a localização dos expositores, a grade completa da programação, orientações sobre o mapa e informações sobre os espaços. O aplicativo já está disponível para androids, iOS e windows Phone.

O aplicativo criado especialmente para a Fenearte. Por lá será oferecida Wi-Fi gratuita no mezanino durante o evento.

Ao final do percurso, o visitante vai poder conferir a Fenearte Memória, que irá apresentar um pouco da história da feira nestas dezoito edições. Um dos destaques será um jogo de memória que garantirá a interação dos visitantes.

São 18 anos exaltando a cultura popular (Fotos: Lucas Oliveira e Marcos Pimentel).

Para reavivar a Fenearte, fizemos uma seleção das nossas matérias ao longo desses dezoito anos com Carmen Lúcia de Andrade Lima, Adailton Laporte, Dió Diniz, Bete Paes, Alexandre Mesquita e roteiros da SIM! Confira!

 

Serviço:

www.fenearte.pe.gov.br

De 06 (quinta-feira) a 16 (domingo) de julho de 2017
Centro de Convenções de Pernambuco
Das 14h às 22h: segunda a sexta
Das 10h às 22h: sábado e domingo
Valores dos ingressos de segunda a quinta: R$ 10 (inteira) R$ 5 (meia)
Valores dos ingressos de sexta a domingo: R$ 12 (inteira) R$ 6 (meia)
Meia-entrada para estudantes, crianças até 12 anos, professores e pessoas com mais de 60 anos

 

 

“Janete Costa introduziu nos interiores dela o artesanato pernambucano com conteúdo diferenciado. Ela não mudava o DNA do artista mais ao mesmo tempo, ela estava carregando um pouco do seu olhar junto com aquele artista. Isso me influenciou, e quando eu saí da universidade também comecei a ter uma aproximação com os artesãos paraibanos. Comecei a fazer o que ela fazia na Paraíba. Janete conseguiu fazer com que as pessoas tivessem uma visão diferenciada do artesanato. Ela conseguia dialogar com o artesão”, conta Sandra Moura que teve sua formação entre a Paraíba e Pernambuco, já que o seu pai era pernambucano.

A parte externa da casa de praia (Foto: Cacio Murilo).

A paraibana nunca trabalhou diretamente com Janete, mas a a ligação é tão forte que ela a considera sua mestra na profissão.”Meu DNA na arquitetura foi moldado por causa de Janete. Seu modo de fazer, repercutiu no meu trabalho”. Para ela, a identidade cultural é um elemento que deve fazer parte de todo profissional, ” Acredito que você só consegue ter o seu trabalho respeitado quando tem um DNA local. E o de Janete se tornou universal, poque ela tinha essa identidade local muito forte e isso fez com que se diferenciasse”, defende Sandra.

Projeto:

Leveza nos detalhes, foi a aposta da arquiteta (Foto: Cacio Murilo).

O projeto escolhido é de uma casa na praia, em Cabedelo, na Paraíba. A arquiteta optou por um conceito clean de morar. “Ausência do supérfluo, valorização da amplitude, pouca informação visual, leveza nos detalhes, muita luz natural, multifuncionalidade, elementos sustentáveis e resgate, caracterizando um morar contemporâneo”, define Sandra Moura ao apresentar os pontos principais do projeto.

O detalhe de um dos pavimentos da casa (Foto: Cacio Murilo).

A casa apresenta grandes espaços que dialogam entre si, tanto na parte interna como na externa. Na fachada oeste, com visão para a rua, foi criada uma estrutura em alumínio, que faz alusão a uma rede de pesca. No térreo, o hall de entrada, sala de estar, jantar, cozinha gourmet, varanda, área de serviço, suítes de serviços, garagem e lavabo. No primeiro pavimento, localizam-se as seis suítes e varandas. Já no segundo, ficam o espaço gourmet, área de lounge, banheiros masculino e feminino, piscina e o deck. No terceiro pavimento, o mirante para visualizar o mar e o céu.

Os materiais naturais refletem a forma de viver dos moradores (Foto: Cacio Murilo).

Por lá, Sandra optou por materiais naturais, que refletem a forma de viver dos moradores. “A madeira, nas esquadrias e nos revestimentos de paredes. O concreto aparente expondo uma estrutura nua e crua dando a sensação de despojamento à casa, pois o concreto é sinônimo de versatilidade e simplicidade e foi ‘redescoberto’ por criar um projeto impositivo com características fortes e marcantes na paisagem urbana”, define Sandra.

 

Serviço:

Sandra Moura Arquitetura

(83) 3221-7032

Na edição impressa da #SIM104 contamos a história do Kaffe Torrefação e Treinamento, que fica localizado na zona sul do Recife. O espaço arrojado foi projetado pelo escritório Amaral Tenório + Arquitetos, de Rafael Amaral Tenório, que conta agora, como foi pensada a criação do ambiente. “Por ser um local de experiência sensorial, o projeto teria que preencher várias lacunas. A arquitetura era uma delas, assim como a iluminação, o próprio cheiro que tem que tá lá dentro e que preenche lacunas para que não brigue com o cheiro do café. Foi tudo pensado para ser um ambiente que atendesse todas as necessidades dos clientes”, conta Amaral.

No lugar, há espaço para o processo de torrefação do café, degustação, curso e cafeteria (Foto: Lucas Oliveira).

Chama a atenção a unidade da parede com o efeito de concreto aparente, que ainda tem uma pegada retrô, com o ladrilho, luminárias e cadeiras. “O projeto descolado passa uma sensação de que as coisas inseridas por lá são por acaso, como se tivessem sido jogadas, mas na prática toda essa sensação é fruto de muito pensamento e trabalho para que o projeto transmitisse essa ideia de maneira correta”, explica o arquiteto, que emenda e detalha ainda mais o projeto, “No Kaffe partimos de uma proposta brutalista, queríamos que toda a instalação fosse aparente, com a pegada do concreto aparente e  que ao mesmo tempo mostrasse a questão do calor com o piso em madeira, fazendo um equilíbrio entre tons escuros com cores vivas . No Kaffe o desafio foi deixar isso tudo muito equilibrado para que o grande astro fosse o café” .

Destaque para a iluminação criada no espaço (Foto: Lucas Oliveira).

No lugar, há espaço para o processo de torrefação do café, degustação, curso e cafeteria, e a preocupação do escritório de arquitetura era trabalhar para que nenhuma dessas ações tivessem seu espaço diminuído. “ A ideia foi fazer um ambiente para ser desfrutado. É como se o projeto de arquitetura enfatizasse ou até mesmo tornasse melhor a experiência com o café dentro do ambiente. Queríamos extrapolar a experiência do usuário. Fomos muito felizes na divisão que fizemos e tá sendo um sucesso, as pessoas estão gostando bastante do que foi construído por lá e principalmente de estarem lá. Buscávamos contrastes, queríamos transmitir essas texturas, revestimentos diferentes, provocando uma sensação de descoberta de sabores, como o café promove” .

Um espaço arrojado criado por Rafael Amaral Tenório (Foto: Lucas Oliveira).

Uma das características mais marcantes marcantes nos projetos de Amaral Tenório + Arquitetos é o uso de cores fortes que aquecem e dão ainda mais vida aos ambientes. “ Em todos os projetos usamos cores, o segredo de não enjoar é não ter uma cor só, não ter um protagonista. Fazemos com que as cores se equilibrem dentro do ambiente e naturalmente se encaixem e sejam preenchidas também com os objetos de decoração”. Por lá, o amarelo conversa com o marrom, cinza e bege.

Detalhe da cafeteria (Foto: Lucas Oliveira).

Destaque também para a iluminação pensada para o lugar, “ A grande sacada é ser uma extensão da questão sensorial, não existe luz geral, a única luz que que está desfocada e que é um pouco mais ampla está dentro da estação de trabalho do café. Mas para todo o público que fica ali, luzes indiretas iluminam não o local que o usuário está, e sim, embelezam ou chamam a atenção de algum ponto que queríamos que aparecesse mais ou menos. A luz é feita para destacar e não para trazer luz em excesso ou tornar o ambiente muito claro, porque ninguém relaxa em um lugar assim”.

 

Serviço:
Amaral Tenório + Arquitetos
Fone: (81) 991727431
rafael@amaraltenorio.com.br

Ao projetar  o escritório Santos&Santos, Zezinho e Turíbio desenharam detalhes únicos que fazem referência às memórias dos dois. A sede é ampla e reflete a forma da dupla em pensar arquitetura, criando espaços funcionais com beleza, aliando o regionalismo local e todas as variedades de artes espalhadas pelo mundo.“Queríamos tirar essa cara de escritório, recheando com tudo que a gente gosta, o escritório é uma extensão da casa da gente, assim como a nossa casa é uma continuação do escritório. Com leituras distintas. É a junção do aprendizado de vida da gente, profissional e das memórias. Tudo aqui  tem uma história”, conta Turíbio.

Na entrada, destaque para o pé-direito duplo, de 5,9m de altura e para as obras de arte no local (Foto: Lucas Oliveira).

Na entrada, destaque para o pé-direito duplo, de 5,9m de altura. No mesmo piso, se encontram as salas de reunião e atendimento, são quatro no total. Na sala maior, destaque para a mesa dinamarquesa. A mesa enorme dos anos 50, convive em perfeita harmonia com as variadas formas de artesanato e design. Na outra sala, uma mesa de madeira rústica que foi trazida do Maranhão  e as cadeiras Eames Soft, da Itálica ganham destaque.

A mesa enorme dos anos 50, convive em perfeita harmonia com as variadas formas de artesanato e design (Foto: Lucas Oliveira).

O primeiro andar comporta a área de produção e os escritórios separados de Zezinho e Turíbio. O destaque é o uso e aproveitamento da luz natural que ganha passagem através dos janelões de vidro, que fazem parte também das áreas comuns de circulação.

A sala de Turíbio Santos (Foto: Lucas Oliveira).

A iluminação é um dos pontos principais em todos os projetos que a dupla desenvolve. Os arquitetos prezam bastante por esse ponto, onde preferem uma luz mais quente e dramática. No quesito cores, todos os espaços fazem uso de tons neutros, tais como branco, preto e cor de cimento, o que acaba facilitando a mistura de outras cores através da mobília, do artesanato e das obras de arte. Se agregam ao espaço as lembranças dos dois em suas viagens.

No quesito cores, todos os espaços fazem uso de tons neutros (Foto: Lucas Oliveira).

 

 

Serviço:

www.santosesantosarquitetura.com.br

Fone: (81) 3081.5900

Textos: Paula Delgado, Flaviano Quaresma e Ariella Dias.

Vivências

Janete Costa foi a capa da #SIM52 (Foto: Eudes Santana).

Quando a praticidade alia-se a um olhar requintado, o resultado não poderia ser outro se não um arquiteto de mão cheia. E é da atividade incessante da mão e da mente de Janete Costa que nasce toda a criatividade desta artista multi-função. Prestes a completar setenta e cinco anos, e se recuperando de uma doença, ela simplesmente não consegue parar, como comprova esta entrevista, feita entre um projeto e outro, entre uma viagem e mais uma, entre seu escritório em Boa Viagem e sua acolhedora casa em Olinda.

No dia 03 de junho de 1932 nascia Janete Costa. Filha de Garanhuns, agreste pernambucano. Primeira arquiteta da família. Cresceu tendo que enfrentar as dificuldades peculiares de uma família de classe média. Aos 21 anos, seus pais se mudaram para o Rio de Janeiro, o que a fez transferir os estudos para o Sudeste e concluir o curso de arquitetura na Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro.

Lá se viu ainda mais perdida, por não conhecer ninguém da área. Mas para Janete, isso nunca foi problema. O primeiro passo foi ganhar experiência e a confiança de seus clientes. Passou anos aplicando o olhar espacial e crítico em eventos pequenos, como festas infantis, ou mesmo vitrines de lojas, o que ela chama de laboratórios. Não cobrava nada pelo trabalho. Cinqüenta anos se passaram e, na lembrança, o orgulho de quem aprendeu vivendo novos desafios. Muitos acharam que ela estava sendo explorada, mas para ela a experiência valia qualquer sacrifício.

Assim que se sentiu um pouco mais segura, abriu uma loja de decoração para expor os produtos. Mas confessa que nunca gostou da área de comercialização, diferentemente de sua família Ferreira Costa, cujo sobrenome está diretamente atrelado ao setor de lojas em Pernambuco. O fascínio de Janete sempre foi conseguir dar uma utilização à matéria, construir algo que fique para a eternidade. Ela descobriu que poderia satisfazer essa vontade unindo arte popular e arquitetura de interiores. Esse interesse a fez procurar o curso de Planejamento de Interiores do Instituto Joaquim Nabuco, no Recife.

Janete costuma ter sucesso em suas andanças. E fica feliz ao recordar-se que nunca esteve sozinha ao enfrentar cada barreira. Sempre fez questão de carregar com ela quem estava por perto e quem demonstrava vontade de trabalhar.

Trabalho… Palavra que para Janete indica evolução. De forma bastante simples, não tem receio de dizer que não gosta de gente preguiçosa: “Ajudo todo mundo, desde que queira ser ajudado e seja esforçado”.

Foi no Rio de Janeiro que ela se casou pela primeira vez e teve três filhos que, segundo ela mesma, nasceram embaixo da prancheta, porque mais uma vez Janete não conseguia parar de trabalhar. Passou todos os nove meses de gravidez “esquentando a barriga na prancheta”. “O descanso de minha gestação era voltar aos projetos. Aí sim eu ficava tranquila”, compartilha. Com Acácio Gil Borsoi, arquiteto renomado e seu ex-professor, casou-se em 1968. Com ele, teve Roberta. Dos quatro filhos, três – Cláudia, Mário e Roberta – são arquitetos. Lúcia não optou por arquitetura, mas também não se distanciou tanto do talento da mãe: lida com arte, é proprietária de uma galeria no Recife – Amparo 60. Em se tratando de netos, dos cinco, dois já enveredaram pelo caminho da avó e estudam Arquitetura.

O ambiente da casa da arquiteta em Olinda, PE (Foto: divulgação).

Ela não pára quieta. Para se ter uma ideia, mantém um escritório de arquitetura no Rio e outro aqui no Recife. Também distribui seus utensílios em três residências diferentes: Rio de Janeiro, São Paulo e Recife. Atualmente está se esforçando por ter uma base mais sólida, porém as viagens continuam sendo uma constante em sua vida. Certa vez, chegou a dizer que morava mais na Varig do que em qualquer outro lugar.

A mais recente decisão foi trocar o Rio de Janeiro por Pernambuco, ou melhor, por três casas conjugadas (uma paixão particular), que Borsoi planejou há 38 anos, na Cidade Alta de Olinda. Ela lembra que eles compraram essas casas praticamente em ruínas, eram apenas fachadas.

Nada de “tudo em seu devido lugar” e “cada estilo de arte em um recanto da casa”. Ao contrário. Como uma boa arquiteta de interiores, ela gosta de manter a arrumação da casa acompanhando o estilo dos donos, e sem paranoias de ter que prezar pela extrema organização.

Fala com o maior prazer que cada dia que um amigo a visita, encontra os móveis e as peças de arte numa posição diferente. Janete prova que é possível usar objetos de arte popular na decoração do ambiente mais importante de uma casa, numa sala, por exemplo, de forma digna, convivendo em perfeita harmonia com outros objetos de arte já consagrados.

É responsável por centenas de projetos de interiores, ambientação de residências, prédios públicos, escritórios empresariais e hotéis, executados no Brasil e em países como Portugal, França, Estados Unidos e China.

Diversas vezes já esteve no foco da mídia nacional e também internacional. Há dois anos foi homenageada com uma matéria especial pela revista italiana Interni. No ano passado recebeu a Medalha Montes Guararapes, do Governo de Pernambuco, a medalha João Ribeiro, da Academia Brasileira de Letras, e uma belíssima homenagem na Casa Cor Rio de Janeiro e Pernambuco. Janete foi lembrada por seu pioneirismo ao acreditar na força da cultura popular há mais de 40 anos.

Não é para menos que a arquiteta é considerada a principal responsável pela introdução do artesanato na decoração de grandes hotéis ao longo de todo o Brasil. É a este ramo de atuação que Janete Costa mais tem se dedicado. O trabalho de valorização do artesanato brasileiro – aqui e lá fora.

Mais uma vez, entra em cena o olhar aguçado da profissional, da arquiteta. Ao tentar, criar um design personalizado para cada tipo de projeto, Janete cria oportunidades de trabalho para comunidades pobres, principalmente no Nordeste. Assim, ela conseguiu uma fórmula de usar a arquitetura em prol do social. “È um trabalho de cunho social, mas que garante uma atividade econômica ao artesão e sua família” completa Janete. Sempre que encontra uma oportunidade, tenta complementar seus projetos com obras de artistas brasileiros, de forma harmoniosa. Trabalho que já se tornou uma marca registrada da arquiteta, elevando o status da peça ao título de “Arte Popular Brasileira”.

Janete tem feito um trabalho muito didático na Paraíba. Há dois anos ela está à frente da Casa do Artista, e durante este tempo já conseguiu boas parcerias para os artesãos de lá, inclusive patrocínios do Banco Real e do Sebrae, que tem sido grandes incentivadores da arte popular. O objetivo é valorizar a produção nacional, contribuindo para ampliar as oportunidades de negócios para artesãos, principalmente em comunidades de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

A casa de Janete Costa, em Olinda (Foto: divulgação).

“Eu quero entrar no anonimato e fazer os artesãos dessas comunidades mais esquecidas saírem do anonimato”Sem impor nada ao trabalho dos artesãos, profissionais que costumam reproduzir repetidas vezes a mesma peça em função da necessidade. De forma espontânea faz com que eles próprios percebam a vantagem de colocarem em prática a interferência sugerida por Janete. Ela apenas procura uma maneira de melhorar o trabalho deles. Mas para isso, é necessário que eles estejam interessados em evoluir, em serem inseridos socialmente, em ser colocado no mercado nacional, e até mesmo no internacional. Eles passam a se sentir mais úteis e motivados. E já está comprovado: a elevação da auto-estima se reflete diretamente no resultado do produto final. Ela reforça: “Bastam pequenas interferências e sugestões para que depois possam surgir trabalhos lindos, mais adequados ao uso e à exportação”.

Com ela, o artista popular é diferente. Eles já se encontram num estágio mais avançado. Deixaram de ser artesãos para desenvolver uma arte própria. O trabalho destes, ela não interfere, apenas admira e na medida do possível, ajuda a divulgar. Agora há pouco, apresentou peças de artistas pernambucanos aos donos da H. Stern, uma das mais importantes joalherias do Brasil e que tem representações em mais de dez países. Será uma maneira de divulgar a arte brasileira além-mar.

Em Pernambuco, Janete conhece muito da comunidade e do trabalho desenvolvido por Tracunhaém, a 63 quilômetros de distância do Recife. Num dos mais importantes pólos de cerâmica do Estado, praticamente metade da população sobrevive, direta ou indiretamente, da transformação do barro em peças utilitárias ou em obras de arte. Eram até então trabalhadores anônimos. Mas depois de fazerem parte da equipe de artesãos que trabalham com Janete passaram, a ter uma identidade própria. Algumas peças produzidas nesta cidade inclusive já fazem parte do hall de um dos hotéis mais luxuosos do Brasil no litoral pernambucano.

Na comunidade de Jussaral, próximo ao Cabo de Santo Agostinho, no litoral pernambucano, Janete atua como consultora do projeto “Artesanato Solidário”. Ela os orienta no desenvolvimento do produto e faz a ligação com o consumidor final, para que eles consigam escoar o produto. Aí entra a ajuda que uma pessoa conhecida internacionalmente pode oferecer: devido aos seus inúmeros contatos, na maioria das vezes o artesão já está produzindo uma peça sabendo por quem e com que finalidade a obra será utilizada.

A arte produzida aqui tem valor semelhante à produzida lá fora, porém com um diferencial imenso: o preço. Janete orgulha-se: “Não tenho preconceitos com objetos baratos. Ao contrário, assim que chego numa cidade desconhecida o primeiro passo que dou é em direção à feira livre ou ao mercado público. É lá que eu encontro a verdadeira obra daquele povo”.

Da mesma forma que não costuma dar valor a uma obra de arte pelo preço, ela também não mede esforços para pagar um valor mais alto a uma peça que realmente valha a pena. Para Janete, uma peça de arte sempre foi tida como prioridade entre os seus gastos. Tanto que, em uma de suas andanças pelo mundo, encontrou uma peça de arte sacra do século XVIII. Não hesitou em comprá-la, mas para fazê-lo teve que imediatamente se desfazer de seu único carro. E ficou felicíssima com a troca. Exemplo típico de uma apaixonada por arte.

 

Janete de mil e uma facetas

Depois de boas horas de conversa com Janete Costa, chega-se a uma fácil conclusão. O lado artístico de Janete Costa é extremamente aguçado e, melhor, não é mesquinho. Se ela é excelente na arquitetura de interiores, seu trabalho como curadora de arte popular não fica nada atrás. Mas o que falar de outras atividades que ela tem como hobbies? Saem igualmente bem feitas.

Se é na cozinha, a mão de Janete sempre foi extremamente bem-dotada. Cozinha desde os seis anos de idade. O grande incentivador sempre foi o pai Francisco Ferreira da Costa. Não é a toa que vários amigos pessoais saem por aí elogiando a boa acolhida na casa de Janete e Borsoi. Ela reforça ao admitir que tenta fazer por onde: acha que a gastronomia é uma maneira de reunir bons amigos em torno de uma boa conversa. “Cozinhar é uma forma de hospitalidade, um jeito de juntar gente perto da gente, de mostrar o sabor e a cor daquilo que você faz. A comida é um depoimento que fica no imaginário”. Na noite da entrevista ia receber parentes na sua casa em Olinda, e no cardápio, um prato a base de pato acompanhado de um bom vinho. Um de seus pedidos prediletos é o peixe cozinhado numa autêntica panela de barro.

Como estilista, nada profissional. Mas admite que já desenhou muitas das suas roupas. Muitas vezes, para passar o tempo, já se surpreendeu com um lápis na mão e criando moda. “Faço isso desde menina, principalmente na época em que morava em Garanhuns, quando a vida era mais sacrificada”, lembra. Ou mesmo mais adiante, quando fazia uso de seu talento para inventar fantasias para desfilar nos carnavais de antigamente.

O prazer mais recente, que tem dividido seu tempo entre as atividades profissionais e o hobbie, tem sido a organização e a confecção da exposição “Transparências”. Ao mesmo tempo em que ela é a autora da mostra, também é sua homenageada. A reunião de mais de trinta peças de vidro servirá como um presente de aniversário para comemorar seus 75 anos de muita energia. A data, dia 03 de junho, será comemorada no dia 10 do mesmo mês, do jeito que Janete gosta: arrodeada de parentes e amigos.

Uma das peças da série Transparência, que ficaram expostas na Amparo 60 (Foto: Eudes Santana).

A fixação em vidro vem desde pequena: “Lembro que ficava olhando por muito tempo uma cristaleira de copos antigos de uma amiga de minha mãe, enquanto minhas amigas brincavam no jardim”. Ao longo de mais de cinqüenta anos de vivências, ela começou a juntar pedaços de vidro. Por onde passava, carregava um exemplar ou mesmo comprava um pedaço de vidro velho, que não servia mais. E agora, mais uma vez, ela externa seu talento: quer dar utilidade a objetos até então inúteis. São vidros de todos os tamanhos, formas, preços e cores; nacionais e internacionais. Pedaços de vidros que se transformam em lindos castiçais, móbiles ou simples peças de decoração.

Acompanhada do serralheiro Jair Castro, Janete consegue construir verdadeiras obras de arte. Os vidros, junto ao ferro e ao aço, tomam novas forma e função e tornam-se poéticos quando recebem o colorido das velas e das flores. Poesia que recebe um novo olhar a cada novo contexto em que se insere. Vale a pena conhecer mais esse talento de nossa Janete Costa.


Nas entrelinhas do trabalho em parceria…

NA ARTE

Roberta Borsoi já havia falado que a Janete “tudo que toca vira ouro”. E longe de nós acharmos que isso pudesse ser uma lenda. A verdade é que a nossa vontade sempre foi, desde o primeiro rascunho da pauta desta revista, descortinar, revelar o que se passa nas entrelinhas das relações de parceria (e não são poucas) que a Janete firma com arquitetos, artistas, artesãos e profissionais que trabalham ao seu lado. O deslumbramento é geral, mas o objetivo não é mostrar tanto essa admiração e sim, como são construídas essas relações no dia a dia. Para isso, conversamos com muita gente. O que também revela o grande laço que ata essa profissional ao mundo.

Para começar, fomos até Tracunhaém, Zona da Mata Sul de Pernambuco. Lá, encontramos a artesã Lourdes Gomes da Associação de Artesãos do município (o Associatra). A euforia que a contagiou quando falamos em Janete Costa foi radiante e uma frase vai ficar marcada para sempre durante a entrevista sobre o que a arquiteta disse uma vez para ela: “Você não deve baixar a cabeça, as coisas vão melhorar”, confessa Lourdes. A cidade de Tracunhaém é famosa por sua cerâmica utilitária e figurativa, que começou a partir do repertório de brinquedos que as crianças modelavam com sobras de argila.

Mesmo com alguns projetos para movimentar a economia local, como Imaginário Pernambucano em parceria com o Sebrae, foi criado o Roteiro do Barro com o objetivo de incentivar o turismo, divulgar o artesanato e incrementar as vendas das dezenas de ateliês existentes no município, Lourdes revela que o retorno financeiro não acontece nos 365 dias do ano. “A gente tem que se virar com o que pode. Essa parceria com Janete incentiva um lado do meu trabalho, o criativo, há mais de 6 anos. A Janete desenha as peças e eu as desenvolvo, mas tem o lado de fazer com que eu também possa realizar minhas próprias criações a partir das idéias, dicas e críticas construtivas dela, que se misturam às minhas idéias”, explica. A argila branca dos vasos da artesã é um espetáculo que dá identidade aos ambientes, não só de projetos de arquitetura de interiores em Pernambuco, mas de outras localidades do Brasil.

Luminárias expostas no espaço do projeto Interferências, durante a Fennearte em 2007 (Foto: Felipe Mendonça).

“Ela dá valor à nossa arte e isso é uma coisa que não se pode esquecer”, acrescenta. Mais de 10 peças desenhadas pela arquiteta e elaboradas por Lourdes vão participar da Fenneart 2007. Saindo da Zona da Mata Sul, voltamos para a Zona Norte da Região Metropolitana do Recife, Varadouro, Olinda. Na cidade dos bonecos gigantes, conversamos com Luiz Henrique de Barros (o conhecido artesão Nêgo de Olinda) que desde os 17 anos desenvolve trabalhos com madeira e pedra. Seu envolvimento profissional e, vale salientar, de amizade com Janete já acontece há mais de 5 anos. Nêgo disse que o trabalho em parceria rendeu muitos frutos e ainda vem fazendo história. “Janete me apresentou muitas questões técnicas, trouxe mais trabalho, me presenteou com mais conhecimento. E isso fez com que impulsionasse meu trabalho, incentivou ainda mais”, fala. Além de direcionar a arte do artesão para nichos sedimentados, como hotéis, teatros e empresariais, o Luiz Henrique, de 46 anos, também  participou in loco de alguns projetos, como um teatro em São Luis (MA) e um hotel na capital paulista. Entre esculturas, molduras e outros objetos de decoração, o reconhecimento do trabalho de Nêgo de Olinda está nos quatro cantos do Brasil. “É uma grande satisfação a parceria com Janete. A gente aprende muito e consegue produzir e ter um direcionamento de mercado mais específico para aquilo que a gente já sabia fazer antes”, pontuou.

A distância entre o bairro do Varadouro e do Amparo, em Olinda, é de duas ladeiras. E bem na Rua do Amparo, que se enche de folião durante o carnaval, o artista Roberto Lúcio nos conta sobre as suas “interferências” (como ele mesmo diz) nos projetos de ambientação de Janete há mais de 20 anos. Mas essa relação não começa, na verdade, apenas nessas últimas duas décadas. Roberto lembra que foi aluno de Borsoi, esposo de Janete, quando existia a Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco. O pintor, que também desenvolve peças de madeira, experimentou, pela primeira vez, o aço inoxidável como matéria-prima para os objetos do Hotel Piauí, em Teresina. Desenhos geométricos com o aço polido e sob tinta automotiva e até as sinalizações dos elevadores foram feitos pelo artista. “A idéia de utilizar o aço para o trabalho foi minha, mas as sugestões de Janete sempre acrescentam mais. A troca de idéias e o conhecimento que ele tem de causa é muito grande, enriquecedor”, afirma.

Roberto enfatiza que a Janete é fantástica porque está sempre antenada com as novidades e disposta a ser flexível com as mudanças de mercado, de conceitos. “Não podemos esquecer que ela também foi a primeira a utilizar na arquitetura de interiores o artesanato popular. A arquiteta não pára, está sempre produzindo e o melhor de tudo, tem uma grande capacidade de fazer amigos”, revela. Atualmente, o artista está trabalhando numa escultura em ferro de mais de 8 metros de altura no Empresarial Nassau, na Ilha do Leite, no Recife.

 

ENTRE MÃE E FILHOS

Janete e seus filhos (Foto: Ivaldo Bezerra)

Cláudia Santos, filha mais velha, conviveu com a mãe somente até os 12 anos. Mas tempo suficiente para experimentar e aprender um pouco da força que essa Janete Costa tem para repassar a quem esteja junto. “Para mim, ela sempre foi simplesmente uma ‘Pãe’. Mesmo sem querer, ela norteou a escolha profissional dos fi-
lhos. Costumo dizer que Janete é a pessoa mais forte que eu conheço”, revela.

Sempre foi uma mãe à frente dos filhos. Ela me fez ser diferente. Por causa dela, hoje tenho meu estilo. Cheguei a usar roupas de tecido pelo lado avesso. No começo, não gostava, mas depois que a moda pegava ou que ouvia elogios, voltava a ela e agradecia… Aprendi a valorizar a mentalidade dela, sempre à frente de tudo e de todos.

No início da minha vida profissional, só me sentia segura quando mostrava meus trabalhos antes à minha mãe. Depois que ela aprovava, seguia para apresentar o projeto aos clientes. Uma herança dela que vai ficar com os filhos para sempre é o gosto pelo ofício da arquitetura, a vontade de trabalhar incansavelmente.

Mário, filho que mora no Rio de Janeiro: “Nasci literalmente embaixo da prancheta. Sempre quis ser arquiteto, nunca me vi fazendo outra coisa se não projetos e plantas. Quando eu era pequeno, minha mãe me levava para casa dos clientes dela, já que ela não tinha com quem me deixar. E lá, em vez de procurar brinquedos, eu costumava brincar com o que estava na frente, ou seja, uma banheira, um jardim diferente. Então cresci aprendendo a admirar o diferente, o belo, o artístico.

A minha escola é a dela. Janete é a minha papiza. Mas tentei ir além e enveredei também por um outro lado.Hoje meu trabalho complementa o dela. Desenvolvoprojetos de iluminação e cenografia. Assumo que é muito difícil ser filho de Janete Costa. A responsabilidade é enorme, mas ao mesmo tempo é maravilhoso. Ela soube fazer o difícil papel de um educador: forneceu os instrumentos, mas conseguiu fazer todos os filhos andarem por conta própria. Ela tem uma qualidade muito relevante para uma mãe: sabe respeitar os espaços dos filhos, o estilo de cada um. Ela é envolvente demais e, por isso, acho que todos os seus filhos optaram por seguir seu caminho. Diante da luz que ela sempre irradiou ao fazer o que gostava, era difícil olhar em direção oposta, era difícil fugir da arquitetura.

Dos quatro filhos a única que não seguiu carreira em arquitetura foi Lúcia Santos, que enveredou pela arte e possui uma galeria no Recife, a Amparo 60. Nem por isso os laços profissionais com a mãe foram descartados. Muito pelo contrário. Afinal, arquitetura, ambientação, arte, artesanato, design… todas essas áreas são abordadas por Janete sempre se complementando em seus projetos. “Ela foi a matriz de todos os meus sonhos… Seu trabalho de curadoria de exposição consegue tirar o melhor dela, sua seiva”, disse Lúcia, que já participou inclusive de uma empresa que representa os trabalhos de Janete e mais uma vez assumiu: “somos grandes parceiras”.

A filha mais nova Roberta tem 13 anos de formada em Arquitetura, também 13 anos trabalhando lado a lado com a mãe, Janete. Além de ser um exemplo como pessoa e de vida, ser generosa, honesta e amiga em todas as horas, ela revela que Janete Costa é muito mais e nos conta em detalhes como isso é possível. “Minha mãe sempre nos ensinou a viver. ‘Não só a morar, mas a viver’, como o pai diz e assina embaixo”, argumenta. A convivência diária é um processo de aprendizagem, diz Roberta. Entre a flexibilidade nos momentos de desenvolvimento de projetos e a observação e compreensão de seu conceito de trabalho na prática, a filha companheira profissional confessa que há um conjunto de coisas que admira na mãe. “Trabalhar com família sabe como é: o puxão de orelha é maior, mas no final é gratificante”.

“Eu respiro todas as sensações de Janete. Quando está com um projeto, ela intervém no espaço, na obra, nos detalhes. A sua arquitetura do bem-resolver o estético e o funcional caminha junto com a sua exigência. Os fornecedores já conhecem o seu modo de trabalho. Sua marca é exclusiva porque também desenha móveis, peças, objetos. Ela sabe do que faz e entende do que faz. A composição é um ponto importante porque faz parte de uma trajetória que tem uma ‘finalidade’ (de finalização da obra) como um objetivo claro em seus projetos”, disse.

Roberta conta que nunca aconteceu de um trabalho não dar certo porque a Janete tem uma criatividade inesgotável. Sua relação com o que faz é, no mínimo, orgânico. “Ela dorme e acorda com o trabalho na cabeça. ‘Nunca deixe nada para depois’, tudo é para ontem. A Janete adianta prazos e quando acontece (que é muito raro) de dar um branco, a idéia surge num insite, do desenho com um pedaço de tijolo na parede levantada da obra, sua postura genial também conta com as facetas do improviso. Ela resolve, no final ela sempre resolve”, relata.

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“Cada projeto tem a importância referente ao seu próprio momento, inclusive na história de sua profissão”, explica Roberta. Entre alguns que marcaram a carreira estão o Pérgamo Hotel (primeiro hotel design do Brasil), o Marabar Hotel, o César Parque Olímpia e o César Business em São Paulo. “Tem algumas peculiaridades expressivas nessas obras, como o argumento em utilizar obras do artesanato popular na ambientação e no final conseguir que isso aconteça”, diz Roberta.

 

NA ARQUITETURA DE INTERIORES

Janete Costa em sua casa (Foto: Eudes Santana).

Ela pensa 100 coisas ao mesmo tempo

“Eu sentia uma empatia desde a época em que cursava a faculdade”, essas são as palavras iniciais de Maria do Loreto, durante a entrevista em seu escritório — um ambiente visivelmente perceptível dentro do universo (Erudito-Popular) vivido pela arquiteta ao lado de Janete Costa ou, como ela mesma faz questão de ressaltar: “aprimorado ao lado de Janete”.

Com sorriso estampado no rosto, ela fala de Janete como quem fala de uma mãe, a admiração tamanha não deixa espaço para a citação de um projeto destacável, pois em sua opinião, cada trabalho realizado em conjunto houve as suas particularidades e peso proporcional. Parceiras desde a época da faculdade, a oportunidade para o convívio surgiu a partir de uma vaga para estágio. Marida do Loreto ocupou o lugar de uma amiga, que deixara o emprego por motivo de viagem.

“Ela sabia da minha admiração por Janete e me informou sobre a sua desistência”, relata lembrando que após a conclusão do curso, continuou atuando como profissional. O convívio diário chegaria ao fim com a chegada de dois filhos e o acúmulo de responsabilidades que exigiam o próprio tempo e escritório.

Atuando até hoje juntas em projetos independentes, Maria do Loreto diz que o enriquecimento profissional adquirido a proporcionou o entendimento dos porquês. “Que eu gostava de Arte Popular isso já era fato, mas saber enxergar e compreender, saber equilibrar… Janete tem o prazer de dividir os conhecimentos, só que de duas palavras que ela diz, você tem que entender dez, não que ela economize palavras, é que seu pensamento é muito rápido. Ela pensa 100 coisas ao mesmo tempo, eu aprendi e desenvolvi isso com ela”, revela.

A Mãe Profissional

No decorrer desse trabalho, o sentimentalismo — que vimos muitos expressarem sem exageros de dizer até materno — é irrevogável. Mesmo com todos os cuidados para não se tornar piegas, os entrevistados conduziram despretensiosamente para um caminho difícil de trafegar. A admiração e o carinho foram tão intensos que as questões direcionadas para o profissionalismo acabaram recebendo respostas envolvidas pelo emocional dos entrevistados. É incrível como o caso das arquitetas Maria do Loreto e Mônica Paes que, sem terem trabalharam com Janete na mesma época, utilizaram as mesmas palavras durante a entrevista, entre elas: mãe profissional.

De uma época em que a base para a Arquitetura de Interiores era resumida em quatro meses de estudos na faculdade, as profissionais, que tiveram a oportunidade de ampliar seus conhecimentos através do período ao lado de Janete, destacam como uma de suas maiores qualidades, o seu desprendimento.

“Nunca houve a preocupação de não se passar algo por medo de perder. Tudo o que sei aprendi com ela! E, no entanto, nunca faltou nada a ela, pelo contrário, só acréscimos”, expõe Mônica. Frisando o trabalho, a convivência e a relação como de mãe e filhas, ambas as arquitetas, particularmente bem sucedidas, exprimem a mesma base. “Você nunca vai confundir o meu trabalho com o de Janete e o de Maria do Loreto, porém perceberá a mesma essência.”

A lição

“Quando você viaja, sua cabeça abre. Você tem que visitar feiras, estar atento às tendências e ao que está acontecendo, mas isto não significa que deva usar aqui o que está sendo usando em Milão da mesma maneira”, expõe o arquiteto Carlos Augusto Lira, outro discípulo de Janete Costa.

A lição, uma das que tornou Lira um profissional memorável, faz parte do conceito ser universal sem deixar de ser regional – grande mudança no movimento da Arquitetura de Interiores, que aprendeu quando ainda estudante-estagiário da arquiteta.

“Você não precisa ir muito longe para entender isso, o pernambucano mesmo é diferente do cearense e do baiano. É uma questão cultural, de valores, de costumes, de modo de vida. O pernambucano é mais fechado, já o cearense é mais receptivo, você tem que saber como eles recebem os seus amigos, onde estão fixados, até porque o cliente pode não entender, não perceber o enunciado. Você tem que captar a alma do cliente”, acrescenta.

O amadurecimento profissional também contou com a amizade de Janete e Borsoi, que foram padrinhos de casamento de Carlos Augusto, os enlaçando além do profissionalismo. Amizade que, juntos com outros profissionais, transformaram o modo de ver as artes regionais, valorizando a arte local.

 

A parceria plena 

ACÁCIO GIL BORSOI – marido, arquiteto e ex-professor:

Sou suspeito para descrever qualquer sentimento sobre Janete Costa. Afinal, posso dizer que a conheci no século passado, nos anos sessenta. São 38 anos de casados. Ela é uma mulher de grandes talentos que soube, durante toda sua carreira, fazer crescê-los cada vez mais. O talento é um só, que vem com a criatividade. E isso ela tem de sobra. Fico admirado com o poder que ela tem de criar coisas novas e o de transformar.

Mas o que mais impressiona é que diante de todo esse dom, ela é uma pessoa modesta. No íntimo, eu digo a ela: “você podia ser um pouco mais vaidosa”, mas nessas horas ela me ignora e simplesmente continua sendo ela.

Nos identificamos muito um com o outro. Não é a toa que a escolhi entre dezenas de alunas do curso de arquitetura. Quando brigamos, não passamos nem uma hora chateados, logo fazemos as pazes. Atualmente, o casal não pode ser formado por pessoas antagônicas, porque com a intransigência das pessoas modernas, elas não aguentariam passar mais do que quinze dias juntas. Por isso assumo que a compreensão que há entre mim e Janete é enorme.

Depoimentos Finais 

EDY ROLIM – empresária e uma das melhores amigas de Janete

Em poucas palavras posso definir a minha admiração por essa amiga de tanto tempo. Tenho o direito de repetir o que já disse há alguns anos: Janete é um poço de cultura, uma lição de humanidade. Há mais de 40 anos, Janete Costa ambientou minha casa em Fortaleza e nunca mais nos largamos. Trata-se de uma amizade forjada, mas que é uma verdadeira irmandade. Uma pessoa larga, uma riqueza de gente.

EUDES MOTA – artista plástico

O que mais me admira Janete Costa é o gosto que ela tem em valorizar e incentivar a arte pernambucana, no sentido mais profundo de sua raiz. Meu primeiro contato com ela, foi quando eu soube que ela havia indicado meu nome a uma galerista de Nova Iorque que tinha pedido uma indicação de um artista plástico que trabalhasse bem a madeira. Depois desse momento, a amizade só fez crescer. Cada encontro com Janete Costa é uma aula de pureza. Janete é uma das poucas pessoas que lê, sente e entende o que eu faço.

Diante de uma artista dessa magnitude, sempre muito modesta, eu fico até com vergonha de mostrar uma obra minha. Ela até que tenta esconder esse lado artístico dela, mas numa exposição como “Transparência”, o público a descobre, essa pessoa humana que tem por trás. Costumo dizer que embaixo de seu baú, existe um verdadeiro tesouro.

MARCELO SILVEIRA – artista plástico

Fico impressionado em perceber como ela consegue concentrar os vários talentos – de arquiteta, artista plástica, artesã – numa só pessoa. Ou melhor, ela consegue repassá-los a quem tiver ao seu lado e quem se interessar em aprender. Sentimentos que estão sempre a flor da pele em Janete são coragem e interesse pelo novo.

Janete foi muito importante como incentivadora no início de minha carreira. Conheço essa riqueza de pessoa há uns 12 anos, mas pelo aprendizado, parece que já faz 50.

FERNANDO AUGUSTO GONÇALVES – cenógrafo e diretor do Mamulengo Sorriso

Trabalhar com Janete Costa significa aprender. Ela é facilmente descrita por duas palavras: talento e generosidade. Minha perplexidade diante da exposição “Transparência” foi tamanha porque percebi que a transparência não está no vidro, nem no cristal, mas no ferro. É incrível como esta mulher consegue transformar o ferro, moldá-lo, domá-lo. Eu cheguei a chorar diante das peças. Sem exageros, eu a chamo do Niemeyer da arquitetura de interiores do Brasil. Janete não fica aquém de nenhuma profissional, nem do Brasil, nem do mundo. Ao contrário, ela nos representa e com muito orgulho. Esta mesma exposição podia estar em Milão e ser tão bem recebida como está sendo no Recife. Ela é uma mulher vulcânica, especial, que vem das profundezas da terra. Posso dizer que minha mãe, por ter me parido, me deu a visão, e Janete me ensinou a olhar.

Uma vez Janete quebrou um braço e quase enlouquecia durante o período em que esteve com gesso. Assumiu desesperada: “não posso passar muito tempo engessada. Eu penso com as mãos”. E é isso mesmo. Ela é uma artesã e uma artista plástica por natureza.

Além de uma pessoa extraordinária, Janete é uma mestra. Ela não tem metodologia didática certa, mas o jeito de ela ensinar me lembra os filósofos no tempo da Grécia Antiga, na Ágora. Assim como Sócrates, Janete é o mestre e o discípulo ao mesmo tempo. Ela escolhe para quem vai ensinar, só repassa as lições para quem ela sabe que vai levar adiante e vai dar continuidade ao aprendizado.

Durante minha convivência com ela, ao longo dos últimos sete anos, eu me identifico como o aprendiz de feiticeiro, mas no caso específico dela, ela não faz o feitiço, ela é o feitiço. Através dessa exposição, Janete está mostrando ao povo que além de cultura popular ela é a contemporaneidade humanizada. É num momento como esse que Pernambuco pode reconhecer o talento da pessoa humana que ela representa. Uma pessoa única, singular.

A empresa curitibana de móveis, GS Fibras Naturais, lançou sua nova coleção de móveis feitos de cordas ecológicas, produzidas a partir da reciclagem de garrafas PET. Cadeiras, mesas, puffs e poltronas fazem parte do portfólio da marca que atende tanto o mercado nacional, como também exporta para diversos países.

As peças são desenvolvidas a partir da reciclagem de garrafas PET (Foto: divulgação).

Os produtos da GS são montados manualmente para garantir a máxima qualidade. Além das cordas PET, a empresa trabalha somente com madeiras licenciadas e fibras naturais como junco e apuí, prezando pela sustentabilidade. A nova linha foi desenhada pelas designers Daniela Ferro e Cíntia Ribeiro Gomes e está disponível em lojas de produtos de alta decoração em todas as regiões do Brasil, além de serem encontradas também nos Estados Unidos, Panamá, República Dominicana, Bolívia e Paraguai.

Os produtos da GS são montados manualmente para garantir a máxima qualidade. (Foto: divulgação).

A marca focou seus lançamentos para varandas, terraços e espaços gourmets . Uma linha sofisticada que tem como objetivo se adaptar a todo tipo de decoração.

 

Serviço:

www.gsmoveis.com.br

Os grafiteiros curitibanos Rimon Guimarães e Zéh Palito desembarcaram na Síria no final de abril para levar arte e esperança para a população local. A dupla finalizou agora a maior pintura feita no país: um painel urbano com quase 270m², em Damascus.

Inspirada na liberdade, esperança, paz e amor, a pintura com quase 270m², é um marco para o país, onde a arte pública, grafite ou expressões artísticas culturais não são frequentes. “É muito gratificante fazer parte dessa história. Em meio à guerra conseguimos finalizar o maior mural de pintura da Síria com muita cor e alegria. Quando chegamos, vimos que quase não existiam artes públicas. Hoje, durante a guerra, viemos pintar um mural com adolescentes e crianças com intuito de espalhar o amor e a esperança de um futuro melhor para o povo sírio”, comenta o artista Rimon Guimarães.

A ação artística faz parte do CONEXUS, projeto coletivo de arte contemporânea nômade, com curadoria da gaúcha Sheila Zago, que viaja pelo mundo promovendo artistas e desenvolvendo programas educacionais com parceiros locais.  Na Síria, os curitibanos colaboraram com artistas locais e ministraram oficinas para crianças e adolescentes. O CONEXUS é um trabalho voluntário e depende de doações para cobrir despesas com transporte, alojamento, alimentação e materiais para o desenvolvimento das ações.

Serviço:

Facebook: www.facebook.com/conexusproject

Em celebração aos seus 30 anos de arquitetura, Sandra Moura assina pela primeira vez um espaço na CASA COR São Paulo. Para criar uma atmosfera que envolve arquitetura, design e botânica, a profissional desenvolveu um espaço de 100m² de atravessamentos conceituais, onde os três elementos se unem para criar um lugar de habitação com arte.

O Estúdio do Artista foi criado em homenagem ao artista plástico paraibano José Rufino, conhecido por suas obras com temas memorialísticos, sociais e políticos e une o regionalismo com contemporaneidade, num espaço atemporal. Tomando como mote as características da vida e obra de Rufino, Sandra Moura mergulhou em pesquisas de materiais específicos: plantas raras, móveis e objetos de design especial, rochas, estruturas metálicas e texturas. “O estúdio é uma residência artística, uma casa fora de casa, um módulo avançado para viver e soltar o pensamento criativo”, afirma a arquiteta.

O elemento de design mais simbólico no estúdio é a grande estrutura metálica e vazada que a arquiteta desenhou para percorrer todo o espaço. O elemento se transforma em estante, vitrine ou cabide, passando pelo hall, copa, quarto e reaparecendo no terraço. As plantas, uma das maiores paixões de Rufino, foram cuidadosamente pesquisadas pela arquiteta. Na área externa, destaque para o sofá que se compõe de várias formas, design de Alain Blatché para Saccaro.

Em uma das paredes, um enorme painel fotográfico, de 7m x2,50m, rompe os limites do estúdio, transportando o olhar diretamente para o que se vê do ateliê paraibano de Rufino, uma reserva de Mata Atlântica. A mata trazida de lá, por meio de uma simples fotografia, cria um jogo de transmutação de lugares, um tipo de mágico que testemunha que arquitetura e arte, quando unidas, provocam sonhos.

 

Serviço:

Sandra Moura Arquitetura

(83) 3221-7032

 

Promover a internacionalização e o desenvolvimento de designers brasileiros no mercado exterior é o propósito do Projeto Raiz, iniciativa do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis) e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), que inaugura a primeira mostra itinerante nas Embaixadas do Brasil na Europa. A programação conta com o apoio do Ministério de Relações Exteriores.

Entre os dias 8 e 30 de junho, a Embaixada do Brasil em Roma, receberá 17 estúdios de design que fazem parte da iniciativa. São eles: Noemi Saga Atelier, Fahrer Design, NDT Design, Aristeu Pires, Paulo Alves, estudiobola, Estúdio Ronald Sasson, ITENS por Ana Neute, Jader Almeida, Leo Romano, Guto Indio da Costa, Marta Manente, Alessandra Delgado, Plataforma 4, Carol Gay, Tora Brasil e Gustavo Martini.

Para inaugurar a mostra, um evento especial foi elaborado para contextualizar a importância do design brasileiro no mundo. Antonio Patriota, Embaixador do Brasil na Itália, iniciará a solenidade, seguido por um seminário que contará com a presença de grandes nomes do setor, como  o arquiteto Ciro Miguel, fundador do premiado Estúdio Miniatura e professor no ETH-Zurich, Instituto Federal Suíço de Tecnologia, em Zurique, comentará sobre sua carreira internacional.

Para completar o ciclo de palestras, dois designers integrantes do Projeto Raiz apresentarão seus trabalhos. Camila Fix, do estúdio Plataforma 4 e Fix Design, falará sobre os passos da produção semi industrial de móveis e objetos e a relação entre designer e indústria. Com mais de duas décadas de carreira, a profissional acumula uma série de prêmios do Brasil e do exterior. O encerramento ficará nas mãos de Gustavo Martini, uma das apostas da nova era de designers brasileiros. Aos 30 anos, o carioca possui um vasto currículo de exposições e prêmios, o último adquirido no início do ano foi o Panerai Next Generation Designer of the Year no Wallpaper Design Awards.

 

Serviço:

www.raizproject.com
www.facebook.com/raizprojectoficial
@raizproject