A paixão de Carlos Augusto Lira pela arte popular

Um país inteiro em cinco mil peças. Um amor descoberto entre os brinquedos de menino e alimentado ao longo de 40 anos, ganhando proporções gigantescas. Essa é a história do arquiteto  Carlos Augusto Lira e a sua paixão pela arte popular. Paixão que lhe rendeu uma coleção invejável de objetos produzidos por artistas de todos os cantos.

Acervo de Carlos Augusto Lira na Reserva Técnica (Foto: Lucas Oliveira)
A coleção do arquiteto Carlos Augusto Lira (Foto: Lucas Oliveira/Revista SIM!)

De tão grande o acervo, Carlos viu-se diante da impossibilidade de guardá-lo em casa. Alugou um galpão no Recife, onde obras de nomes como Nuca, Galdino, Mestre Vitalino, Ana das Carrancas, Véio e Luzia Dantas dividem espaço, preservando a memória e a cultura popular brasileira. “Mas guardar apenas não me deixava feliz. Do que adianta se não se convive com a arte? Não quis apenas juntar essas coisas para manter trancadas. Quero que as pessoas também tenham acesso. Conheçam esses artistas, o que eles fazem e entendam como a nossa arte popular é imensamente rica”, diz.

Carlos Augusto Lira confere peças de arte popular no seu acervo (Foto: Lucas Oliveira)
Em casa, Carlos Augusto Lira convive diariamente com a arte popular (Foto: Lucas Oliveira/Revista SIM!)

A Coleção

A imensa coleção teve início na época em que Carlos trabalhava com Acácio Gil Borsoi e Janete Costa e foi levado para fiscalizar obras no Piauí. “Foi um desafio profissional e uma experiência de vida. Me abriu o mundo dos grandes artistas do Piauí, como os mestres Dezinho, Expedito e Cornélio. Esse mundo e a convivência com Janete foram abrindo portas, aumentando a curiosidade e a vontade de juntar. Eu não dizia que colecionava. Eu dizia que juntava coisas”, relembra.

Artista Pituca está no acervo de Carlos Augusto Lira (Foto: Lucas Oliveira)
Peças do artista paraibano Pituca na sala superior da residência do arquiteto (Foto: Lucas Oliveira/Revista SIM!)

Atualmente, a coleção do arquiteto soma mais de 5 mil peças, 4.500 guardadas na Reserva Técnica, no bairro dos Torrões, no Recife. A curadora, doutora em antropologia Ciema Silva de Mello, diz que a coleção tem a seu favor a autonomia de gosto de seu proprietário. Capaz de gostar por conta própria, sem a preocupação da maioria sempre predisposta ao objeto unânime, seriado como parafusos.

Piranha do acervo de Carlos Augusto Lira (Foto: Lucas Oliveira)
Mulher Piranha, do alagoano Petrônio, em madeira policromada (Foto: Lucas Oliveira/Revista SIM!)

“Carlos Augusto tem consciência de que a forma de cada objeto foi, antes de materializar-se, a intenção de seu artífice. É por isso que, em sua coleção, a forma aparece respeitosamente precedida pela memória do artista”, conta Ciema.

 

Peça de Carlos Augusto Lira - (Foto: Lucas Oliveira)

Coleção está bem guardada, entre a casa do arquiteto (em Apipucos) e a Reserva Técnica, nos Torrões (Foto: Lucas Oliveira/Revista SIM!)Hoje, Carlos Augusto alimenta o sonho de um dia abrir a sua Reserva Técnica à visitação do público. Vai cuidando com muita atenção e afeto de todos os seus companheiros de uma jornada, que já soma mais de 40 anos. “Um dia juntei alguns deles, coloquei à mesa e fomos celebrar com um jantar. Eles são mais do que obras de arte, moram comigo, fazem parte da minha vida”, encerra.

Carlos Augusto Lira

Praça de Casa Forte, 324 – Casa Forte – Recife-PE

Fone: (81) 3268-1360

 

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