A luta e a arte de Tereza Costa Rego

Tereza Costa Rêgo (Foto: Alexandre Severo)
Tereza Costa Rêgo (Foto: Alexandre Severo)

Dona de uma história marcada por grandes doses de amor, luta e muita arte, Tereza Costa Rego é o retrato de um dos perfis de mulher guerreira que muitas pessoas têm em mente. Testemunha e personagem de muitos momentos históricos do Brasil e de alguns países do mundo, como Chile e França, a artista plástica rompeu preconceitos, atravessou o período sombrio de duas Ditaduras Militar e encontrou na pintura a melhor maneira de expelir toda a carga histórica, cultural e sentimental que carregava e ainda carrega.

A pouco mais de um mês para completar 88 anos, Tereza é a homenageada da exposição Delas- A Mostra das Mulheres, que fica em cartaz para visitação até 27 de março na Casa do Cachorro Preto, em Olinda. “Escolhemos Tereza por ser um ícone de mulher guerreira que sempre esteve à frente de seu tempo. Uma artista, antes de qualquer coisa, revolucionária que ainda hoje defende a mulher a todo custo retratando em suas peças o brilho e a sensualidade feminina. Ela, além de tudo isso, representa o amor e lutou por esse sentimento”, afirma a artista visual Amélia Couto. “Tereza é uma referência de luta e resistência, como mulher e artista, é impossível não se comover com sua história, e pra mim é uma honra imensa poder dividir o espaço de uma galeria com ela. A forma como a arte dela sobreviveu à opressão, me serve de inspiração, quando ainda no século XXI recebo críticas opressoras em relação ao meu trabalho”, completa a artista plástica Gio Simões. A mostra apresenta obras de artistas plásticas que tem a figura da mulher como o principal foco de trabalho.

De uma tradicional família aristocrata de Recife, Tereza pintava desde criança e, para impulsionar o talento, estudou na Escola de Belas Artes tendo sua primeira exposição em 1950, no Salão Anual de Pintura. Com vida estável, teve um casamento de 14 anos. No entanto, o amor pelo o líder comunista Diógenes Arruda fez com que ela jogasse tudo para o alto para viver uma verdadeira história de amor e muita repressão.

De 1964 a 1979, sua vida passou a correr por caminhos distantes do que já havia vivido. Por motivos políticos, se mudou junto ao novo marido para São Paulo e, até 1969 (ano em que Diógenes foi preso), viveu na clandestinidade. Em 1972, se exilaram no Chile, mas, com o Golpe Militar, fugiram para Paris, onde permaneceram por seis anos.

Durante todo esse tempo, na pintura e na militância, foi por vezes Terezinha por outras Joana. Com obras que abusam de cores quentes, principalmente o vermelho, Tereza apresenta em seus desenhos um traço lotado de sensibilidade e delicadeza. “Ela tem quadros muito fortes que mais parece um retrato dela mesma. Há uma simbiose muito grande entre ela e sua arte. Ela é uma pintura de si mesma”, aponta a artista plástica e jornalista Dani Acioly.

Atualmente, Tereza é considerada uma das artistas plásticas mais importantes de Pernambuco. Para a mostra, ela expõe o Pecado Original e obras que fazem parte da série Bórdeis, um de seus trabalhos mais representativos que traz símbolos e nuances dos bordéis pernambucanos a partir de elementos que misturam o sagrado e o erótico dentro da personalidade feminina. “É um trabalho que deriva de uma ideia de seus sonhos. É o bordel dela, que ela imagina, com mulheres extremamente sensuais mas que não perdem a sensibilidade. Assim como ela é”, explica Amélia.

 

Serviço:

Delas- A Mostra das Mulheres
Homenagem e Participação de Tereza Costa Rego
Quinta-feira, 09 de março, às 19h
A Casa do Cachorro Preto
Rua Treze de Maio, 99 – Cidade Alta – Olinda