Liramartes com novo acervo

A exposição Liramartes, assinado pelo arquiteto e colecionador Carlos Augusto Lira, aumenta o acervo de peças de arte popular com obras da cultura africana. Batizada de Lira Amar África, a mostra, aberta ao público na Galeria RioMar desde agosto, acolhe neste mês cerca de 200 peças oriundas de países do continente. Em sua segunda fase, o evento promove mais que a possibilidade do conhecimento da identidade do movimento cultural do lugar, mas revela também as influências e o diálogo entre as características artísticas da África, América e Europa.

De acordo com o colecionador, essa relação se dá muito pela estética forte e inusitada presente nas peças africana. “São objetos ricos em cores e formas que tem um lado inusitado e aos menos tempo simbólico que chama bastante a atenção. Esses são aspectos que o africano explora sem nenhum medo e que acaba contagiando, mesmo que indiretamente, a criação de muita gente”, afirma. “É um lugar que tem uma importância mundial e uma influência enorme no trabalho de artistas nacionais e internacionais, como Picasso, Geteó e Galdino. É atual e contemporânea também na produção criativa de muitos designers de móveis e tecidos, por exemplo”, completa Carlos Augusto Lira.

Madeira, osso, bronze, palha, marfim, fibras e cerâmicas são alguns dos materiais usados na produção das peças expostas. Além disso, os visitantes poderão conferir ainda itens ricos em grafismo de preenchimento que apostam ainda em tons neutros, como o marrom e o bege, assim como em tonalidades mais quentes, como o amarelo e o vermelho, estes vistos principalmente nos tecidos – estampados e bordados a mão- que trazem detalhes peculiares que representam a personalidade de um povo. “São itens que podemos claramente fazer referências com a Art Déco”, ressalta o arquiteto.

Adquiridas pelo colecionador em locais como Paris e Portugal, os objetos são oriundos de lugares como Camarões, Congo, Aires e Senegal. Muitas delas, carregadas de um valor singular, foram usadas por chefes de tribos em cerimônias importantes. “Minha primeira peça veio de Gana e ganhei de Janete Costa, pessoa responsável pela minha paixão pela cultura popular. Foi ela que me incentivou e moldou meu olhar, que hoje é aguçado muito pela estética da peça”, pontua.

O acesso a exposição é gratuita e funciona de acordo com o horário do shopping RioMar.