Ruy Ohtake no Recife

Um dos mestres da arquitetura contemporânea no Brasil esteve no Recife para uma palestra no teatro da Faculdade Damas, no bairro das Graças. A ação integrou as comemorações da Revista de número 100, que traz o arquiteto na capa – com croqui feito especialmente para a edição. No palco, Ohtake repassou a sabedoria de quem soma mais de 300 projetos mundo afora, como o premiado hotel Unique, em São Paulo, e lembrou: “Nós demos a obrigação de conhecer e saber utilizar os materiais que estão disponíveis”.

O valor estético nas obras de Ohtake aparece de diferentes maneiras, como no emblemático projeto que ficou conhecido como ‘os redondinhos de Heliópolis’. Trata-se de uma comunidade paulista com mais de 200 mil pessoas abrigadas no que hoje é considerado um exemplo de habitação popular, repleto de cor, vida e humanização. “Eu não queria simplesmente ajudar, virou uma troca em que todos puderam opinar sobre a melhor forma de convívio e paisagem. Em resumo, o que eles mais queriam eram espaços culturais para amenizar a triste realidade do cotidiano”, comenta. Dessa forma surgia no começo dos anos 2000 um exemplo construtivo de molde redondo, cheio de cor e de áreas para o convívio saudável.

São detalhes que o público da palestra poderá conferir de perto ao receber a mensagem de que a arquitetura contemporânea precisa ousar, buscando como inspiração nomes como o arquiteto Oscar Niemeyer. “Para ser de vanguarda é preciso romper com o consenso e estabelecer um caminho que se desconhece, motivo para se acreditar na intuição”, aconselha. Por isso é tão fácil identificar os seus desenhos na paisagem de São Paulo. Um deles é o Instituto Tomie Ohtake feito para abrigar salas comerciais e espaço de arte, com uma estrutura que revela a leveza da curva e o encanto de tons vibrantes em meio ao cinza paulista.