Marginais e Heróis em cartaz na Amparo 60

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Foto: Lucas Oliveira

Teve início a exposição “ Marginais Heróis”, que reúne obras de J. Borges, Rico Lins e H.D.Mabuse. O ponto central é instigar o diálogo entre as possibilidades geradas pelas novas tecnologias e levar o público a refletir sobre a heroica resistência dessa peça feita para ser fugaz, mas que acaba resistindo nas ruas, nas coleções e na memória das pessoas.

O projeto foi desenvolvido a partir da frase “Seja marginal, seja herói”, lema de Helio Oiticica, que foi a inspiração de Rico Lins, curador do projeto. Ele explica o significado dessa exposição e revela seus marginais e herói preferidos. “ Essa exposição fala sobre o diálogo entre tecnologia digital e o analógico. E por isso convidei Mabuse que trabalha com essa parte digital e Borges que tem essa raiz na matriz das gravuras dele. Resolvi juntar três gerações, que tem um pouco desse marginal e herói. Até porque todo mundo na minha opinião tem um pouco de herói e marginal. E no caso desses cartazes, onde misturo anônimos e celebridades, o marginal e o herói vai depender da interpretação de cada um. Os meus cartazes preferidos são o de São Sebastião e o de Chico Science ”.

Para Lúcia Santos, responsável pela galeria Amparo 60, esse trabalho só vem a agregar cultura para as pessoas. Ela fala sobre a sua descoberta deste projeto que está sendo exposto. “ Quando eu fiquei sabendo, imediatamente acolhi a ideia. Mesmo sem saber muito sobre o que seria colocado. Mas apenas pelo nome desses artistas que estão envolvidos eu já acreditava que seria um sucesso. Eles tem ideias inovadoras. Me sinto muito honrada de ter essas criações expostas aqui. São trabalhos ricos”.

“ A ideia foi fazer um encontro de gerações diferentes e mostrar o limite entre arte e designer. E foi quando Rico me chamou para inserir essa linguagem digital, criando esse aplicativo que pega a lógica da imagem capturada da pessoa e o ruído da tinta do cartaz, que neste caso seria digital, fazendo com que as pessoas possam usar o aplicativo e criar”, comentou Mabuse.

Na abertura da exposição houve uma mesa de debates, onde os três artistas puderam conversar entre si e interagir com o público. E o grande destaque foi o artista J. Borges que contagiou a todos com seu bom humor, falando sobre o início do seu trabalho com gravuras, e sobre o fato de já ter percorrido o mundo ensinando sua arte. “Tudo que aprendi foi com o meu esforço, não tinha ninguém que me ensinasse. Comecei fazendo gravuras em preto e branco, mas hoje 90% são coloridas. O povo gostou. Tive que inventar o jeito de fazer as gravuras. Para mim elas surgiram da necessidade de ilustrar o cordel que eu já fazia. A xilogravura para mim é tudo. Já ensinei a milhares de pessoas. Já passei por vários países ensinando a minha arte”.

 

SERVIÇO

Marginais Heróis Exposição
– Visitação até 07 de março – Galeria Amparo 60